terça-feira, 25 de novembro de 2014

Habemus Obama?









“Eu avisei”... “já sabia”... “Não falei”? São expressões bastante ouvidas pelas ruas, quando se fala de Flamengo. Sabemos que a comunicação é ruim, não é possível que só a diretoria não veja isso. A pressão é grande e o problema é como se dirigir tanto aos sócios, quanto a torcida, parte mais interessada. Cada um na sua. O Buteco é um exemplo do que digo, um microcosmo. Há insatisfeitos, revoltados, complacentes, silenciosos, desesperados, tudo. Num ambiente de comunicação ruim, medidas impopulares abafam medidas positivas aos olhos da maioria, e além disso o jogo contra o Galo na semifinal da Copa do Brasil foi a gota d'agua, tirando a razão de gente que apoiava. Uma coisa é certa: o Twitter e os blogs não são a torcida, mas são microcosmos dela.

Acabou a benevolência de muitos que apoiavam, outros perderam a crença na diretoria, tudo isso é normal neste processo confuso, onde a oposição se comunica melhor, tem um “discurso direto”, objetivo, fácil de se entender. É fato, a oposição se comunica melhor. Nem precisa baixar o nível, o que a diretoria precisa é escutar as ruas (em alguns aspectos), se aproximar de seu povo, inclusive de seu sócio. Ser ouvido, dialogar mais e melhor. Como? Não sei.

Começaria pelo orçamento de Marketing e Comunicação para 2015, pensados como investimento, não como custo. Mesmo com opiniões diversas e críticas ferrenhas, o marketing trabalhou bem, na medida do possível. Com uma marca, uma instituição do tamanho do Flamengo, e em momento de crise, trabalhar com um orçamento anual de 2,5MM em 2014 foi de doer! Como crescer assim? Um setor que pode no médio prazo, trazer 300, 400MM para o clube, poderia se dar ao luxo de um orçamento maior. Luxo não, obrigação!

Tem também a questão das redes sociais, que movimentam a “vida flamenga” fora dos muros da Gávea, onde rubro-negros interessados trocam informações sobre o clube. Estamos entre eles, como blog, como rede social. Algo foi executado, porém estamos longe do ideal. Quer um exemplo? O site do Flamengo não tem versões em outras línguas que não sejam o português. Falta dinheiro pra investir, faltam medidas para alavancar o ST, trabalhar com as embaixadas, falta algo, principalmente investimento financeiro e de recursos humanos. Gente, mão de obra.

As redes sociais e os blogs, como disse são um microcosmo da “vida social” do clube, e não dá pra ficar apanhando, mesmo apresentando feitos consideráveis. Erros e acertos. O tom das críticas já aumentou, o que custa tentar uma aproximação? Agradar a todos não vai dar mesmo. A visão sobre o todo mudou, isto é fato, a diretoria deve ficar atenta a isso. Culpa do galo, culpa do Luxa, culpa do Bap, muitos tem culpa e é assustador como os carecas estão perdendo apoio de quem estava na frente de suas fileiras, quem mais apoiava. Isso é notório não apenas nas redes sociais, nas ruas, na família.

O 4x1 do Mineirão esgotou a paciência acabou com o amadorismo, com o comportamento de alguns do campo e fora, ao menos com o que sai na imprensa, e por vezes aceitamos como verdades absolutas. O que mais ouço pelas ruas é: “eles podem ser mais bem-intencionados, mais honestos, mas continuam amadores” ou do quanto o marketing do Flamengo deveria ser melhor trabalhado. Nós mesmos aqui no blog. As maldades foram executadas algumas ações doeram, como a majoração do valor do ingresso, o desligamento de alguns ídolos como Love, Renato Abreu e Jayme, a cota extra, o início claudicante do ST, e com o tempo a destruição da imagem de Bap e Wallim, com promessas (reais ou criadas) não cumpridas.

Mesmo o trabalho interno sendo relativamente bom, não conseguimos enxergar no campo, no todo. O Flamengo é um produto “pronto” e a impressão é de que ninguém está cuidando dele, porque o Flamengo é esse “iceberg ao contrário”, a parte que mais aparece é o futebol, onde confundimos má administração com o Luiz Antônio trotando em campo... Não enxergamos o degelo submerso, o derretimento abaixo do espelho d'água, os buracos da camada de “ôzôna”, somente o que cai na frente de nossos olhos. Falo do futebol “quebrando a estrutura”.

Não lembro de ter visto veículo nenhum da imprensa citando o balanço do 3º trimestre de 2014, do Flamengo, com superavit de quase 53MM e a dívida caindo de 751MM para 577MM em 21 meses. Além disso, a receita do clube em nove meses sem as cotas de TV é similar a receita dos três rivais estaduais juntos e com as cotas de TV inclusa. E também, Flamengo superando a receita anual do Corinthians projetada para 2014, isso se o balanço do clube paulista for respeitado.

O Marketing faz um bom trabalho, o relacionamento é que não é bom, assim como a comunicação. Falta a criação uma agenda positiva de notícias. NÃO SE TRATA DE AGENDA MENTIROSA, COMO FEZ CERTOS CLUBES. O futebol tem peso político, mas tem menos peso eleitoral do que se imagina, tumultuando em razão de resultados ruins. Temos dois exemplos, a princípio, antagônicos, que comprovam isso. Delair “campeão brasileiro” em 2009, derrotado por Patricia Amorim no dia seguinte à conquista. O outro é a derrocada de Patricia Amorim, pelo mesmo motivo futebol, que encobria os rombos e a irresponsabilidade com gastos fora das possibilidades. Não é só o futebol. Tudo afeta o sócio, pois o futebol é o carro chefe e está acostumado tanto a trazer dinheiro, quanto a trazer dívidas.

Os azuis entraram para resolver o problema da credibilidade da instituição. E vencer esportivamente, lógico. O futebol “não elege”, mas destitui. Obama é um exemplo que trago para a discussão, pois penso ter similaridades entre os EUA e o processo em que vive o Flamengo. Guardando as devidas proporções, logicamente. Não dá para arriscar perder as próximas eleições. Vejamos:

- Obama gerou mais empregos em 6 anos de trabalho que os dois Bushs em 12
- O desemprego é o menor desde a década de 90
- Salvou (literalmente) a indústria automobilística
- Reduziu o deficit fiscal
- “Matou” Osama Bin Laden, o inimigo do Estado, que “lhe jurou de morte”
- Recriou o sistema de saúde para a população, algo que há muito se tenta e não se consegue
- O PIB americano cresceu 3,5% no terceiro trimestre de 2014
- Gasolina está surpreendentemente barata
- Reformulou o processo legal de imigração

A razão deste post foi uma conversa com um amigo sobre a situação política dos EUA, na semana passada. Ele explica que nada disso foi considerado na última eleição, onde o partido de Obama “tomou uma trosoba”, como disse. Lembrávamos também, que tem cidadão americano que discute abertamente, se ele é ou não “o pior presidente da História”. Em minha visão, aqui do Brasil, Obama “desistiu” de seu forte, a comunicação, por isso apanha e apanha muito! Apanha porque não é infalível, como qualquer outro não seria. Apanha porque os EUA são gigantes em território, política, economia...

Depois da eliminação na Copa do Brasil, ficamos todos amargos. Uns mais, outros menos. Tudo por causa de uma “decisão equivocada” de Luxemburgo em um jogo decisivo. De matar! matou o planejamento, de fato, em um jogo. Mas voltando à Obama, parecemos os eleitores americanos. O nível de cobrança e excelência mudou. O patamar mudou, porque a expectativa mudou. Eles prometeram mesmo 500MM? Ou disseram que o Flamengo tem potencial para arrecadar 500MM? São coisas diferentes. Se prometeram arrecadar 500 milhões, quando assumiram, arrecadávamos 200MM. Agora arrecadamos 350MM em dois anos, mas está ruim, afinal, prometeram 500MM...

O processo parece não ter volta, o cristal se quebrou. A solução seria a recuperação da imagem e da capacidade financeira para comprar outro cristal. Precisamos de uma vitória significativa em alguma área, principalmente dentro do campo, e mesmo assim, será difícil que os “desencantados” deem o braço a torcer. Como ocorre com Obama. Existem pesquisas eleitorais que perguntas quais medidas os americanos querem que sejam listadas como prioridade ou ações efetivas sejam tomadas pelo governo. Se alguém lhes diz “Obama tomou esta medida”, o cara se diz contrário, mesmo que em cinco segundos antes tenha dito que era a favor.

Tenho uma teoria maluca, que a eleição de 2015 teria seu teste agora, uma prova, na eleição do corpo transitório do conselho deliberativo, que se avizinha. A oposição se uniu, sem um projeto concreto, mas se uniu. Certamente a combinação comunicação ruim + medidas intempestivas, criou a situação atual. Pior ficou com o comportamento e as piadinhas de Luxemburgo após as sovas contra o Galo. Falta de motivação com torcida lotando treino e aeroporto, enchendo estádio? Que cara de pau! Falta aproximação com os sócios, torcida, exemplo Obama se torna um clássico. Infelizmente. O treinamento para a reeleição em 2015 é agora!


Fonte: Primeiro Penta


SRN

Fonte: http://www.noticiasfla.com.br/2014/11/habemus-obama.html

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